quarta-feira, 13 de julho de 2016

Echoes: capítulo 11


Vayu se levantou, afastando-se da mão consoladora de Fael. Não sabia pelo que o garoto estava passando, mas tinha certeza que de alguma forma ele se encontrava em situação parecida.

_ Olhos sempre abertos. – a voz de Arya fez com que ela se voltasse para ele.

_ Não é um código secreto, fica frio. – a atitude desafiadora voltava finalmente ao seu espirito. – É só uma coisa que falamos uma pra outra pra nos mantermos alertas. Nahk não é um lugar legal.

Fael viu o rosto de Arya se contorcer minimamente numa pseudo careta de dor, mas se foi em meio segundo. Estava começando a reparar cada vez mais nas expressões mínimas do garoto, em busca de alguma coisa que não fosse o maldito autoritarismo silencioso, mas ainda não sabia quase nada além de que ele tinha vindo de um planeta escuro chamado Keldam. E ele contou sua vida inteira para ele. Essa é a vida.

Fael digitou algo no painel, e seu próprio mandato de busca em Yrelt apareceu na tela.

_ Eu também não posso voltar pra casa.

_ Ah. – Vayu sorriu, irônica e um pouco triste. – Quer dizer que somos dois fugitivos, eu e você?

_ Três. – era a voz de Arya.

Fael arregalou os olhos além do que achava ser possível, e Vayu levantou uma sobrancelha, incrédula.

_ Você? – ela disse. – O senhor certinho? Não vem com essa, não.

_ Acha que Nahk não é um lugar legal? – a voz era a mesma, mas o tom estava mais tenso, de alguma forma. – Espere para ver Keldam.

_ Espera. – Fael disse, já digitando. Mas não havia nada. – Não tem nada aqui. Não há ordem de busca no seu nome.

_ Não é pra ter mesmo. Ordens de busca locais em planetas que ainda não descobriram vida extraterrestre não aparecem no sistema do Manifesto. – Arya pausou por um instante, mas antes que fosse bombardeado de perguntas, continuou. – Eu descobri o universo sozinho. Interceptei sem querer uma frequência nulvac vinda de uma das luas do meu planeta. Passei a me comunicar com eles em segredo. E quando meu grupo foi descoberto pelas autoridades, os nulvacs me resgataram e mandaram para a Fronteira. Estávamos apenas tentando ajudar as pessoas. E agora eu estou aqui, a salvo, sem saber o que foi feito dos outros.

Houve um silêncio de compreensão entre os três, sabendo que fugiam por estar tentando fazer a coisa certa, cada um do seu jeito, e ter como única recompensa ser tratados como criminosos. Sem dizer nada, os meninos sabiam que não deixariam Vayu no primeiro planeta em que pousassem. Sem dizer nada, Vayu sabia que não seria deixada pra trás. Sem dizer nada, os três sabiam que aquela coincidência os unia mais do que qualquer coisa poderia naquele momento. Eram fugitivos de seus próprios lares, que deixaram para trás sem realmente querer, sofrendo a dor de estarem longe de seus entes queridos e da injustiça cometida contra eles. Três fugitivos solitários à deriva no espaço imenso e escuro numa navezinha velha. Essa é a vida.



Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário