sábado, 19 de março de 2016

Echoes: capítulo 10


O som de espera tocou por um tempo muito longo e doloroso. Ia desistir. Não tinha ninguém lá. Depois tentaria de novo. Sem problema, não era tão importante assim. Só que era. Muito importante. Tão importante que, mesmo hesitando em falar sob os olhares de dois desconhecidos, Vayu esperava. Atende, atende, atende. Por favor, atende!

_ Braigo ed resmonei Singh. Ayaulym, flae? – uma voz feminina muito doce para aquela língua áspera ecoou na sala de transmissão.


Vayu não olhou para trás, mas sentia o olhar severo de Arya às suas costas. Respirou fundo, e respondeu na língua comum.

_ Aya? Está me ouvindo?

_ Vayu? – a voz doce respondeu depois de alguns instantes, a emoção muito forte em seu tom. – Vayu? É você? É você de verdade?

_ Sou eu. – Vayu não conseguiu segurar a emoção também, e dane-se se tem dois desconhecidos atrás dela a ouvir tudo, estava finalmente falando com Aya.

_ Você está bem? Deuses, pensei que tivesse morrido... faz quase um ano, Vayu. Cadê você?

_ Aya... – os olhos de Vayu se encheram de lágrimas, e ela deu graças aos deuses por estar de costas para os garotos. – Desculpe. Eu não tive como te avisar...

_ Estão te procurando. Desde que partiu, há cartazes pela cidade toda. E você não é difícil de reconhecer, então... achei que tinham te pegado.

_ Não. Eu estou bem. Mas vou demorar pra voltar. Se estão me procurando desse jeito, não posso pisar em Nahk de novo até a coisa toda esfriar. – Vayu dizia com um peso enorme na voz. – Mas não se preocupe, tá? Você consegue fazer sozinha. Quantas vezes já estiveram aí?

_ Muitas. – a voz de Aya disse, em tom mais baixo. – Mas os mandei embora toda vez.

_ Isso mesmo. – Vayu estava aliviada. – Não deixe nenhum deles te convencer a sair daí. O orfanato é seu, por lei. Escuta, eu escondi um documento no meu quarto aí. No lugar de sempre. Com ele você está mais protegida contra eles, tá? Guarde com cuidado e só tire essa carta da manga quando a coisa ficar muito feia. Certo?

_ Certo. – Aya parecia temerosa.

_ Não fica com medo. – Vayu precisava encorajar Aya, sabia que ela era doce demais para aquele trabalho. – Estarei com você sempre, tá? E não se preocupe comigo. Uns caras estão me ajudando, caras legais. Vou ficar bem, e vou dar um jeito de voltar, assim que der, tá? Escuta, não sei por quanto tempo vou viajar com esses caras, mas por enquanto, se precisar falar comigo, liga nessa frequência. Ela é segura.

_ Tá. Vayu. Toma cuidado aí onde você está.

_ Claro! Quando é que eu fiz diferente?

Aya riu. Aquele sorriso doce e sincero de sempre. Vayu se sentiu imensamente aliviada, e preferiu terminar a conversa ali, naquele tom mais leve.

_ Qualquer coisa, me liga. Até mais, Aya.

_ Até mais, Vayu. Olhos sempre abertos. Tchau.

O ruído da codificação foi a única coisa que sobrou depois de desconectada a transmissão. Vayu não se voltou para os garotos, não queria que vissem as lágrimas, e o susto foi grande quando ela sentiu uma mão quente em seu ombro. Por um instante pensou que pudesse ser Arya reivindicando seu posto de volta, mas aquela mão calorosa não podia ser dele. Quando voltou seu rosto molhado para cima, viu Fael a olhar diretamente em seus olhos, com expressão muito diferente daquela babona que teve desde que o conhecera. Ele parecia comovido, e seu olhar dizia que ele entendia. Que sabia muito bem pelo que ela estava passando.


Continua...

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